A princípio todos pensam na questão financeira, mas essa crise vai muito além disso. É uma crise de gestão de pessoas, de sentimentos, uma crise emocional. Hoje lidero um time de 2 pessoas e alguns trainees na Petri, e para alguém com apenas 20 anos, esse é um dos maiores desafios que já tive de enfrentar.
“O que eu vou fazer?”, esse foi o questionamento que me fiz diversas vezes. Em uma época que não se pode ter contatos físicos, o digital se torna o único jeito de se manter. Ninguém nunca me disse isso, mas sendo Diretor de Marketing, atribui um peso em minhas costas de que a vitalidade da empresa estava centralizada em mim.
Mas como eu poderia lidar com isso tudo e ainda manter um time unido e motivado? Sempre pensei que como líder não poderia transparecer nenhum tipo de preocupação, que ironicamente deveria por uma máscara e esconder minhas preocupações e sentimentos. Não poderia estar mais enganado.
Algo que aprendi tendo que lidar com Formação Empreendedora dentro do Núcleo Ponta Grossa, é a importância de ser vulnerável dentro de qualquer time. Com isso, me abri com a equipe de Marketing sobre diversos problemas que estávamos passando e sobre o peso que coloquei em minhas costas. Hoje posso dizer que foi uma das melhores atitudes que tomei, pois conseguimos construir um time unido, forte e que mesmo em uma época de quarentena, está alcançando suas metas anuais.
Claro que essa não foi a solução de todos os problemas, ainda precisava enfrentar desafios pessoais dentro da Diretoria Executiva. Assumimos diversas atividades e o esgotamento uma hora bate em nossa porta e foi aí que vi mais uma oportunidade de permitir-se ser vulnerável. Disse para o time sobre o cansaço que estava passando, e todos concordaram que estávamos precisando de um final de semana mais tranquilo.
Além dessas situações, senti a necessidade de explorar mais alguns tópicos. Entender que nem todos enfrentam essa situação com a mesma mentalidade, que tudo bem suas atividades serem entregues em outro nível, que precisamos compreender e se mostrar presente antes de qualquer cobrança. E o principal, romper com a imagem de liderança forte e invencível permitindo-se ser “debilitável”, mas sempre buscar a solução de mãos dadas.
Ser líder vai além de estabelecer metas. Desenvolver a liderança nos outros e, atualmente, aproximar as pessoas em um momento de distanciamento social, é um dos papéis fundamentais para ser um líder de impacto. Romper com a ideologia de que apenas você pode dar respostas e trabalhar em conjunto com toda a equipe. Manter a fé, por mais desafiador que possa ser, de que um dia tudo isso vai passar.
Tudo isso é possível. Difícil, porém possível. Utilizando o potencial de todos, podemos sim superar essa crise.
Artigo escrito pelo pós-júnior Eduardo Novais
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